Bullying – Violência na Escola
Diante do quadro de violência na escola nos dias de hoje, resolvemos abordar o tema bullying por se tratar de uma violência vivida em sua maioria de aluno para aluno. Diante disso gostaríamos de saber se:
Professores e a equipe escolar estão conscientes deste fenômeno?
Como os professores de hoje reagem diante desse problema no dia a dia na escola?
Por mais que muitos profissionais da educação e familiares achem que o fenômeno Bullying é algo longe de sua realidade, acreditamos que esse fenômeno tem aumentado constantemente em nossa sociedade, e muitas vezes ignorado inconscientemente.
Nas famílias de hoje há uma tendência em deixar de lado muitos dos comportamentos transgressivos dos filhos, como fingir que não houve nada quando filho comete um erro, ou adota-se uma falsa compreensão do fato, ou até mesmo uma falsa repreensão que quase sempre nem é levado em consideração pelo filho.
Essas formas de educar estão em pais ligados a escolhas pessoais que pretendem não ferir a sensibilidade da criança, por exemplo: gritar não adianta nada, deixa ele, entre outros, sem querer cria desavença nem provocar discussões. Certos pais para se sentirem perdoados pelos seus filhos por não ficar em casa e não acompanhar a vida dos filhos como gostariam, sedem quase todas as vontades dos filhos e toleram quase tudo o que fazem.
Esse tipo de aspecto familiar pode ser um dos influenciadores de um comportamento agressivo, onde a criança não aceita limites, como também causar o inverso, a criança se sente tímida, e deslocada, se tornando nesse caso uma vítima potencial para o que chamamos de bullying.
Esse comportamento colocado em sociedade dentro o ambiente escolar, nos leva a pensar no seguinte problema:
Como os professores de hoje reagem diante desse problema no dia a dia na escola?
Mas o que é bullying ?
Bullying: palavra de origem inglesa, sem tradução para o português.
Define-se por conjunto de atitudes agressivas, intencionais e repetitivas que ocorrem sem motivação evidente, adotado por um ou mais alunos contra outros, causando dor angustia e sofrimento. Algumas manifestações: insultos, intimidações, apelidos, cruéis e acusações injustas.
Quais são as principais características do bullying ?
O bullyng pode ser identificado por meio de algumas ações tais como: colocar apelidos degradantes, humilhar, xingar, encarnar, zoar, fazer sofrer, descriminar, excluir, isolar, ignorar, intimidar, perseguir, assediar, aterrorizar, amedrontar, tiranizar, agredir, empurrar, roubar, quebrar pertences, chutar, bater, ferir e dominar.
O comportamento agressivo entre estudantes é um problema universal, tradicionalmente admitido como natural e freqüentemente ignorado ou não valorizado pelos adultos. Estudos realizados nas duas últimas décadas demonstraram que a sua prática pode ter conseqüências negativas imediatas e tardias para todas as crianças e adolescentes direta ou indiretamente envolvidos. As conseqüências do bullying afetam todos os envolvidos. Mas as vítimas são as mais prejudicadas. Porque podem ter prejuízos nas relações de trabalho, na futura constituição familiar e na criação dos filhos, além disso, de imediato já podem ter problemas na saúde física e mental.
A adoção de programas preventivos continuados em escolas de educação infantil e de ensino fundamental tem demonstrado ser uma das medidas mais efetivas na prevenção do consumo de álcool e drogas e na redução da violência social.
No Brasil a educadora Cleo Fante fez quatro estudos sobre o fenômeno bullying com alunos de 1ª a 4ª série (1.761 alunos) no período de 2000 a 2003 em algumas cidades do interior de São Paulo. Segundo a educadora, ela ficou muito impressionada com a pouca conscientização do fenômeno nos meios educacionais.
O presente projeto consiste na identificação deste fenômeno, alertando a sociedade para a importância desse problema no contexto escolar.
Dentro da escola esses atos deveriam ser uma preocupação dos educadores e da equipe escolar, porém a maioria desconhece o fato ao até mesmo os ignoram , achando que podem fazer parte da fase de crescimento do aluno. A falta de informação e orientação tem colaborado para o crescimento desse fenômeno.
Em casa o temor ou a indiferença do adulto em relação às situações de conflito e aos comportamentos transgressivos a regras, resultam na falta desses devidos respeitos. Seus filhos não desenvolvem condições de lidar com todas suas frustrações, de renunciar as suas próprias posições ou de não se poder fazer capaz de uma ação responsável. Se a figura materna ou paterna condiciona de maneira tão intensa o desenvolvimento dos filhos, deduz- se que esta figura fica atribuída de propiciar o confronto deles com o mundo exterior, com regras e normas sociais, e com a competição de trabalho. Provavelmente a figura paterna também é influenciada por essa herança cultural, da qual foi demasiadamente enfraquecida, fazendo com que muitos pais renunciem a agir no que se refere na educação dos filhos, as consequências são filhos egocêntricos sem noção de limites, viciados, desacostumados a enfrentar desafios reais, nos quais muitas vezes nascem sensações de insegurança e desconforto quando são obrigados a confrontar-se com uma realidade conflituosa e cheia de regras.
São fatores como esse que influenciam o comportamento tanto dos agressores como das vítimas de Bullying .
O agressor sempre prefere atacar o mais fraco para ter certeza da sua "vitória", se tem um aluno que aparenta fragilidade, insegurança, timidez e dificuldade de se impor, esse é o preferido para o agressor usar como bode expiatório. Mas não deixa de enfrentar outros alunos, porque se sente forte e confiante. O agressor consegue leva outros alunos a fazer parte do seu grupo usando sua imposição, normalmente esses que aceitam fazer parte do grupo do agressor é por medo de se tornarem vítimas. O agressor sente satisfação tanto em agredir quanto em ver outros agredindo sua vítima. Habituados a ser o centro das atenções em casa, onde as regras foram ignoradas, combatidas ou modificadas, esses jovens se comportam em sociedade de acordo com esse modelo, muitos deles não se preocupam com as normas, não pensam nelas, não imaginam as consequências de seus atos.
No caso de vítimas podemos destacar três tipos delas:
Vítima típica - é o indivíduo que sofre agressões de outros e que não tem recursos ou habilidades para fazer parar com as agressões. Suas características mais comuns são: aspecto físico frágil, medo de ser ineficaz nos esportes e nas brigas, coordenação motora deficiente, muita sensibilidade, timidez, passividade, submissão, insegura, baixa auto-estima, dificuldades na aprendizagem, ansiedade e aspecto depressivo.
Vítima provocadora - aquela que provoca a atrai reações agressivas, mas não consegui lidar de forma eficaz. Sempre tenta brigar ou responder quando é atacada. Normalmente é hiperativa, inquieta, dispersiva e ofensora. De modo geral é tola, imatura, de costumes irritantes e costuma causar tensões no ambiente em que se encontra.
Vítima agressora - aquela que reproduz os maus-tratos sofridos. Tento passado por situações de sofrimento, o aluno tende a buscar indivíduos mais fracos para transferir as agressões sofridas.
Existem também nos casos de bullying em algumas situações uma terceira pessoa a quem chamamos de observador que é o aluno que presencia o bullying, mas não sofre nem o pratica. Representa grande maioria dos alunos, preferem a lei do silêncio por medo de se transformarem em vítimas. Esses também podem ter suas aprendizagens prejudicadas, já que seu direto a um ambiente seguro e solidário foi violado.
As Instituições de saúde e educação assim como seus professores, devem reconhecer a extensão e o impacto gerado pela prática de bullying entre estudantes e o desenvolvimento de medidas para reduzir-la rapidamente. Mesmo admitindo que os atos agressivos venham de influências sociais e afetivas, construídas historicamente e justificadas por questões familiares ou comunitárias, é possível considerar possibilidades infinitas de pessoas que descobriram formas de vida mais felizes, produtivas e seguras.
Não cabe a nós colocar o professor como principal responsável para tratar de todo comportamento bullying ocorrido na escola, mas sim sinalizar com clareza que esse tipo de violência não é somente algo pertencente à fase do aluno, e que requer sim uma posição da escola que é responsável por orientar e ajudar tanto as vítimas quanto os agressores a procurar ajuda, sendo a escola uma atuante na formação moral, e não somente educativa.
Esse tipo de violência mesmo sendo comum não é enxergado pelos professores como algo grave e que pode trazer conseqüências futuras aos alunos.
Por esse motivo o projeto de intervenção se faz extremamente necessário, para que possamos tornar as escolas públicas novamente um ambiente seguro e de desenvolvimento para o aluno, ao invés de uma local de opressão.
Incentivar a escola a identificar e implantar ações de redução ao comportamento bullying. Despertar a escola, família e sociedade para a existência desse problema e suas conseqüências, objetivando atender ao direito da criança e adolescente em desenvolver-se em um ambiente seguro, educando cidadãos solidários e justos que saibam valorizar o ser humano e respeitar as diferenças.
Nenhum comentário:
Postar um comentário